sábado, outubro 30, 2010

sexta-feira, outubro 29, 2010

AEROPORTOS II

(Aeroporto de Madrid) O que menos gosto nos aeroportos é o controlo de polícia. Eu e os terroristas, mas por diferentes razões. É necessário tirar tudo dos bolsos e o relógio também. É necessário tirar o cinto. Se levo líquidos tenho de os apresentar num saquinho transparente. O computador tem de passar sozinho, numa caixa e sem bolsa protetora, numa caixa. Eles fazem sempre a pergunta se levamos líquidos ou objetos cortantes. É uma  via sacra que não tem piada nenhuma. Por vezes a máquina apita, e não levamos nada nos bolsos nem temos cinto, outras vezes não apita e pensávamos que ia apitar. Estranho. E porque não posso ser revistado pela polícia loura? Tem sempre de ser o polícia bombado a passar as mãos pelo meu corpo, não acho piada nenhuma a isto.


As lojas de lembranças são muito agradáveis de visitar. Na verdade procuro alguma coisa que me surpreenda mas não encontro. As lojas de lembranças são todas iguais, têm todas as mesmas coisas, ao mesmo preço, aqui, em Lisboa, em Frankfurt, em Helsínquia. Não sou só eu que digo. O mundo está a ficar chato. Tudo tende para um equilíbrio e o equilíbrio nestas coisas é vender o que toda a gente gosta ao mesmo preço por que assim não há vantagem em comprar nesta ou naquela loja, pode-se comprar em qualquer lado, é igual.

O que se pode fazer depois de passar o controlo de polícia se não visitar as lojas do aeroporto? Não há mais nada para fazer por aqui. Ou isso, ou ligar o computador para ver as notícias lá na minha terra. Isso até um cromo qualquer a cheirar a sovaco sentar-se ao meu lado. Eu confesso eu também já cheirei a sovaco, foi quando esqueci-me do desodorizante e não tive pachorra de ir comprar outro. Mas isso foi um caso pontual, não aparece quando se faz a média mas este tipo aqui ao lado é passa dos limites.

Neste momento em que vos escrevo montanhas de pessoas passam de um lado para o outro. Devem ter mudado a porta de algum voo. Não tem nada a ver mas continuo sem ver o A380 ao vivo mas acabo de ver a pizza do malcheiroso e é mesmo dele que vem este cheiro nauseabundo porque ficou mais forte quando ele levantou a asa. Isto é como ficar em frente de uma antena. Agora vou dizer que ele fala árabe e toda a gente vai gerar um preconceito na sua cabeça. Pois façam-no porque também é muito chato ser politicamente correto cem por cento do tempo.

TV DIGITAL EM ESPANHA

(Madrid) Em Espanha já não existe televisão analógica. Desde Abril, se não estou em erro. Agora é tudo digital. Bom, na verdade não é bem assim porque existem os canais piratas que por cá (Portugal) não ouvimos falar deles. São muitos os canais de televisão que se podem apanhar com uma antena, bem mais que os quatro mais o canal HD, sem emissão, sintonizados em Portugal.

Existe de tudo: um Astrocanal que so passa isso: os astros. Um canal Aprende Inglês. Os generalistas conhecidos, olha o Españoles en el Mundo  na TVE1 (conhecem isto de algum lado não? , aos Sábados, na RTP1). Há até tem miras técnicas. Há já alguns anos que não via uma mira técnica em direto. Agora todos os canais emitem vinte e quatro horas por dia e mesmo que não tenham nada para transmitir colocam as televendas. Pensava que tinham acabado as miras técnicas, estavam extintas. Outra coisa que acabou, lembram-se do hino nacional no final da emissão, ou o hino da SIC, no final de emissão? Sinal dos tempos, já não existem finais de emissão, a emissão é contínua e ininterrupta. Não há tempo a perder. São tempos idiotas que se vivem onde não se pode parar.

Não há muita oportunidade de ouvir outra língua que não seja o espanhol nas TVs.
Os canais de música que há só passam ritmos latinos. Até há a CNN em castelhano. Mas a TV digital não é muito amiga. Isso de captar um canal com muito arroz, como se dizia no passado acabou. Aqui na digital ou dá ou não dá. Não dá para ver um canal com má qualidade. Muitas horas passei eu a ver TVE1 com má qualidade de imagem quando vivia na Madeira e captava os sinais que vinham sobre o mar desde as Canárias. Para mim, vaguear nas frequências era como viajar sem mapa, sempre à espera de encontrar um canal que mais ninguém tinha, um canal que só eu tinha descoberto. Mais tarde os meus pais compraram uma parabólica antes de terem a TV canalizada que têm agora e era uma aventura ainda maior pois com cinco satélites à escolha e os chamados feeds imprevisíveis, por vezes descobriam-se coisas interessantes. Vez houve que descobri um feed da RTL de um Grande Prémio de F1. Via o mesmo que os espectadores da RTL mas sem os cortes de publicidade nem o logo no canto da imagem. Quando a emissão ia para publicidade eu continuava a ver as imagens do circuito. Muito curioso mas nunca mais voltei a repetir. Mais tarde descobri que todos os satélites tinham mapas de frequências de vídeo e audio, ou seja, se tivesse acesso a eles escusava de estar ali à procura horas e horas por uma coisa que não existia. Eu gostava dessa parte de procurar sem saber. Esses mapas de frequências tiram-me o gozo todo. Hoje já não precisaria de comprar as revistas que comprava. Bastaria ir ao sítio na Internet dos operadores dos satélites que emitem esses canais de tv e rádio. Que aborrecimento, não poderiam deixar-nos descobrir onde estão os canais?

sexta-feira, outubro 22, 2010

(Oulu) Vou-me embora no primeiro voo da manhã do aeroporto de Oulu. As lojas estão todas fechadas e apenas dois tipos a dormir no chão fazem-me companhia. Com este silêncio todo as rodas da minha mala parecem fazer um barulho enorme. Vou acordá-los de certeza. O volume do som também é qualquer coisa de relativo. Esvaíram-se as minhas últimas hipóteses de comprar postais. Não trouxe máquina fotográfica, não há postais que raio vou levar desta terra? Apenas recordações na minha cabeça. Ao menos um íman para pregar no frigorífico, mas para isso é necessário as lojas estarem abertas.
Aos poucos os funcionários do aeroporto vão chegando. Os passageiros também.
O aeroporto de Oulu deve ser mais pequeno que o da Madeira. Tem uns dez balcões de check-in. Falta uma hora e picos e ainda ninguém nos balcões. Passageiros e funcionários começam a se igualar.
Vou parar aqui, não me apetece escrever mais.

OULU


(Oulu, 65º00'55'' N, 25º28'32''E) Para ir ao tecto do mundo existem várias opções, uma delas foi esta. Tenho alguma relutância em escrever de acordo com a nova ortografia. Deveria escrever tecto ou teto? Pensarão que escrevi com erro ortográfico? Hesito sempre em escrever as palavras novas. Quem lê pode pensar que escrevo com erros. Na verdade o gajo erra muito mas se calhar, caro leitor, a palavra que identifica como errada até pode estar de acordo com o acordo ortográfico.

São duas horas e dez minutos até Genebra, uma hora de espera no solo, mais duas horas e quarenta e cinco minutos até à capital finlandesa. A espera para o voo para Oulu será de sessenta minutos. Um pouco atrasado e sem bilhete de embarque para Helsínquia, pensei que pela primeira vez na minha vida iria perder um voo. Em Lisboa tinham-me dito para ir ao transfers e pedir aí o meu bilhete de embarque porque isto era um outro voo operado por outra companhia, a Finnair. Eu não sei onde é o transfers e não sei para que serve. Não liguei a Lisboa e fui logo para a porta de embarque. Na porta de embarque nem foi preciso falar. You come from TAP? Yes, e lá expliquei a situação em que me encontrava mas penso que não seria preciso pois olhei para os bilhetes que ela tinha na mão e eram os meus. Que eficiência. Eh falu português disse-me ela. Que sorte, pensei eu. Uma vez houve um espanhol que me disse que o português era uma língua exótica. Exótica é outra coisa, uma língua falada por mais de duzentos milhões de pessoas não pode ser exótica. Exóticos são vocês quando saem do reino de Espanha. Obrigadu foi a ultima palavra que ouvi antes de deixar Genebra. Obrigado respondi também. Foi a minha estreia neste país neutro. É uma merda ser neutro. Nem preto nem branco, nem sim nem não. Não sei, não conheço mas a Suíça sempre me lembrou comida sem tempero. De uma certa latitude para cima é tudo sem tempero. A Finlândia é sem tempero também.

Trouxe um jornal português comigo, o Público. Volta comigo também daqui a alguns dias. Eu sempre leio montes de coias ao mesmo tempo e volto atrás e passo os olhos por aqui e por ali e lembro-me de que vi qualquer coisa no jornal de há dois dias e tenho de ver outra vez. Os jornais também são bons, especialmente os gratuitos, para embrulhar a merdinha das minhas gatinhas. Elas não sabem, mas eu uso a merda delas para esfregar nas fotos de quem não gosto que encontro na imprensa velha. Deve ser a maior utilidade que se pode dar a essas pessoas cujo nome nem vou escrever aqui. Acho deselegante fazê-lo aqui. Nós os portugueses estamos muito sensíveis por estes dias, por estarem-nos a tirar coisas que certamente não nos deviam estar a tirar se tivessem sido um pouco mais cautelosos e dissessem a verdade na altura certa e não quando tem mesmo de ser. Agora não podemos acreditar que se possa ficar por aqui. Talvez daqui a umas semanas/meses sejam mais as medidas aplicadas.

Chegando quase ao polo norte ainda tenho um trabalho para fazer e enviar. Sempre encaro estas coisas como uma missão passageira, dias de picos em que é preciso desdobrar em esforço e fazer um pouco mais. É aborrecido trabalhar à uma da manhã mas não há alternativa mesmo.

Esqueci-me da máquina fotográfica em casa. Não haverá, pelo menos por agora, fotografias de Oulu no meu arquivo digital. Neste momento em que vos escrevo estou a uns quarenta minutos de Genebra em direção a Helsínquia. Nunca tinha tido duas escalas num voo.

A branquela ofereceu-me uma sandes e uma comida especial. Estou enjoado de comida de avião, de comida de restaurante, de comida de cantina. Hoje só me apetecia coisa fresca, como um kiwi, uma laranja, um maracujá, água fria, até uma banana caía bem. Que engraçado, o pacote de comida tinha o meu nome escrito. Senti-me importante por alguns segundos. É bom sentir-se importante, de vez em quando. Penso que se maior parte da nossa população se sentisse importante uma vez por outra Portugal era um país melhor, bem melhor. Infelizmente nem sempre vejo as melhores pessoas a se sentirem importantes em Portugal. O país está a saque e hoje ou ontem num zapping qualquer alguém dizia, estamos sempre a enriquecer os mesmos. Senti que aquelas palavras até poderiam ser vazias de argumentos mas que talvez estejam próximas da realidade.

Embora seja a minha primeira vez em Oulu, não sinto vontade de ajoelhar-me e beijar a terra. Foram quatro mil quilómetros para chegar aqui. Isto em campos de futebol, que é o paralelo que se costuma fazer, deve dar muito campo. O caminho mais próximo, usando o arco da circunferência máxima dá uns três mil seiscentos e sessenta e sete quilómetros. Uma poupança de quatrocentos quilómetros, dez por cento.

O quê que faz uma pessoa chegar a uma terra destas, à uma da manhã, com um frio de rachar destes? Eu saio para a rua de noite e regresso também de noite.

quarta-feira, outubro 13, 2010

AEROPORTOS

(Lisboa) Por uma altura destas já deveria estar num estado de odiar os aeroportos. Mas não, não os odeio, odeio certas pessoas que existem nos aeroportos mas que também existem fora deles. Os fura filas são um desses grupos. Para mim não faz diferença esperar mais ou menos cinco minutos numa fila de aeroporto, vou no mesmo avião que estas bestas e vamos todos sair à mesma hora e se aterrarmos, aterramos todos juntos também. É uma canalha que acha por pertencer a um grupo pode se juntar aos elementos do mesmo grupo que chegaram mais cedo à fila do check-in.

Depois estão as tripulações que se acham o máximo. Eles acham que todos nós, os normais, gostaríamos de ser iguais a eles e transformar as nossas vidinhas simples e aborrecidas em aventuras diárias: agora estou em Lisboa mas daqui a umas horas estou em Copenhaga. Amanhã vou para Nova Iorque. Que seca de gente. Coitados, deixá-los lá pensar que são muito bons. Pelo menos são felizes e isso é muito importante. Corrijo, pelo menos parecem ser felizes e isso ainda é mais importante, nos tempos que correm.

Os trabalhadores das lojas, esses sim, têm sorte, nunca vêm as mesmas caras. Aquele cliente chato que só dá problemas nunca mais será visto. Sim, porque os clientes podem ser muito chatos. Existe aquela máxima, o que se costuma dizer por aí, o cliente tem sempre razão. Na verdade até pode ser mas é muito chato. Talvez porque o mundo esteja a ficar chato, com esta moda do politicamente correto e das regras para tudo. Para já, é cliente aquele que paga. Quem paga é cliente quem ainda não pagou ainda não o é e não tem o direito de encher o saco. Depois, se dá muitos problemas e há sempre uns que dão muito e pagam pouco talvez seja bom deixá-los cair. Não sei, nunca fiz um estudo sobre isso mas parece-me razoável deixai cair alguém que conta pouco mas que dá muito trabalho e está a prejudicar o trabalho de outros clientes maiores e mais sérios. Posso estar a escrever barbaridades mas escrever barbaridades pelo menos serve para passar o tempo de uma forma mais ou menos agradável até que se possa embarcar no meu voo.

Os voos da Easyjet são aquilo que os brasileiros chamariam, uma zona. Não há lugares marcados, há shows a bordo sem aviso prévio. Eles escrevem nos aviões Come on let's fly. Quem vê acha, épa são muita porreiros. Mudam de porta de embarque várias vezes. Depois existem aquelas pessoas ridículas que pagam para entrar cinco segundos antes dos outros passageiros. Essas pessoas importantes ficam à frente, ou seja, têm de levar com toda a gente que vai entrar no avião e chegam exatamente à mesma hora que os outros. Já me esquecia, saem do avião cinco segundos antes de todos os outros. E se todos os passageiros do voo pagassem para ser easyjet plus? Todos menos um, eu. Eu ia-me rir tanto.

Um pouco habituado a viver entre Lisboa e Madrid começo a encontrar as mesmas pessoas nos aviões. Esta última frase soa um pouco a pedante. Não sou. Infelizmente, por razões profissionais tenho de o fazer. Conheci alguns que viajam todas as semanas à segunda-feira e regressam na sexta. Fazem-no provisoriamente há mais de dois anos. Vivem em hoteis o ano inteiro. Ao final da tarde ou à noite, quando chegam ao seu quarto ele está sempre impecável. É como um jogo de computador. Começa sempre da mesma maneira para quem perde o nível. Estarei sempre a perder o nível? Se calhar é isso, descobri. Deve haver no meu quarto uma passagem para o nível seguinte, ou então existe uma chave dourada debaixo do colchão que me permite abrir aquela porta secreta ao final do corredor. Vou explorar hoje melhor. Quero ver se passo de nível.

O meu tempo está a acabar e preciso de me juntar aos pangarés que hoje vão para Madrid.

domingo, outubro 03, 2010

EDIFÍCIO SÃO VITO - SÃO PAULO

EDIFÍCIO SÃO VITO - SÃO PAULO - BRASIL

(Lisboa) Este é o Edifício São Vito, situado na cidade de São Paulo. Esta semana, mandaram-me uma mensagem a dizer que São Paulo já poderia ser visitada pelo Street View. Google Maps, Google Earth e Street View são do melhor que já se produziu em termos de aplicações. Por cá (em Portugal) ouvi/li há uns meses que estavam proibidas as capturas de imagens para o Street View. Por razões de privacidade. Depois numa televisão qualquer, uns cromos da bola quaisquer, queixavam-se que eram reconhecíveis nas imagens da aplicação. Bom, comecei a pensar nos telemóveis.

EDIFÍCIO SÃO VITO - SÃO PAULO - BRASIL

Os aparelhos que temos conosco e que levamos para qualquer sítio identificam a nossa posição vinte e quatro horas por dia, trezentos e sessenta e cinco dias por ano. Se os tivermos ligados, claro. Mas quem é que quer ter um telemóvel para o ter desligado. A queixa dos cromos era que não tinham sido avisados da recolha das imagens nem tinham dado a sua aprovação. Estão no seu direito. A recolha de imagens dá-se em zonas públicas. Estarei eu impedido de tirar estas e outras fotos que publico aqui no blogue? Não sei. Deverei fazer um borrão nas caras de pessoas que eventualmente apanhe nas minhas fotos de maneira que não sejam reconhecidas? Não sei. Deverei fazer o mesmo com matrículas de carros? Não sei.

EDIFÍCIO SÃO VITO - SÃO PAULO - BRASIL

O tema aqui é este enorme edifício situado no centro de São Paulo. Projetado inicialmente para habitação de pessoas de classe baixa a intenção falhou. São vinte e muitos andares, vinte e quatro apartamentos por andar. Atualmente desocupado, ainda ninguém sabe o seu futuro. Poderá ser demolido ou reconvertido. O São Vito, também conhecido por Treme-treme tem cento e doze metros de altura. Não passa despercebido no lugar onde está.

A sim que o vi pela primeira vez tive vontade de o visitar. Certamente degradado mas a vista do último andar sobre a cidade deve ser fantástica. Contam-me que o Fred da telenovela Passione vive aí (o personagem, não o ator). Não sei, ouvi dizer. Fica mal dizer que se gosta de ver telenovelas brasileiras mas eu gosto, não tenho é tido oportunidade de vê-las.




Links interessantes sobre o São Vito:
http://www.saopauloantiga.com.br/edificio-sao-vito/ (com planta de um andar)